UMA MANJEDOURA PARA UM CORDEIRO

 

            Nos Evangelhos existe um relato sobre algo que um primo de Jesus, João Batista, falou a respeito dele (João 1.14-34). De certa forma todo testemunho que João oferece está encapsulado na frase “eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! ”. Refletindo sobre essa ideia a respeito de Jesus, não deveria ser surpresa que o seu primeiro berço teria sido a manjedoura.

            Mas o testemunho que João Batista dá a respeito de Jesus vai além. Ele reconhece que Jesus é o próprio Deus, pois somente Deus tira o pecado do mundo. O outro João, o evangelista, diz que Jesus é o próprio Verbo que se fez carne. Ele explica que isso é porque Jesus é Deus. Jesus tem primazia, pois ele já existia antes de tudo (v. 15). João vai um pouco além e enfatiza que Jesus é o único filho gerado de Deus (vv.18,34).

            É esse Jesus que veio e habitou entre nós, continua João. É dele que recebemos a plenitude de Deus, a graça sobre graça – é ele que batiza com Espírito Santo. Quando João dá o seu testemunho, ele completa a afirmativa de que o Verbo se fez carne, e que ele habitou entre nós, com a afirmação de que “vimos sua glória”, a real revelação de Deus o Pai (v.18) e é esse que tira o pecado do mundo.

            Jesus, apropriadamente teve um estábulo por maternidade e uma manjedoura por berço: Ele é Cordeiro, porque se fez carne e se fez menor que sua dignidade; é o Cordeiro de Deus, antecipado desde Gênesis e através de toda lei e dos profetas, porque veio de fora da ordem da criação; ele revelou o Pai e a graça plena, pois é a provisão divina para tirar o pecado do mundo!

            Pense como é apropriado que um cordeiro nasça exatamente num estábulo. Considere, entretanto, que esse cordeiro não é um qualquer. Ele integra a realeza divina. O Cordeiro é o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. De fato, como afirma outro proclamador da vinda de Cristo Jesus, o profeta Isaías, o menino que nasceu em humildade é, na verdade, o Príncipe da Paz, capaz de carregar em seus ombros o governo do universo (Is. 9. 6). Para Isaías, ele é o cordeiro levado ao matadouro sem proferir palavra alguma (Is. 53. 7), que foi humilhado e oprimido, mas foi assim que nos livrou do pecado e da morte (Is. 53. 11-12). Aliás, a morte não poderia conter aquele que, como destaca o próprio Isaías, não é tão somente um menino, antes é o Deus Forte e Pai da Eternidade (Is. 9. 6).

O fim dessa história de um humilde nascimento de uma criança, e sua condição representada como o Cordeiro de Deus, é narrada no texto de Apocalipse. Este é um dos textos no Novo Testamento que mais faz uso do termo cordeiro para se referir a Jesus Cristo. Porém, quando a história alcança o seu ápice, o menino e o Cordeiro não ocupam mais um lugar na manjedoura de um estábulo. Ao contrário, o Cordeiro se assenta no trono de um Rei. Agora, ele é servido e adorado por uma multidão celestial, bem como governa soberanamente, aguardando tão somente o dia em que todos os povos, línguas e nações se dobrarão diante dele (Ap. 7. 9-10). Afinal de contas, isso é Natal.             

            Que neste natal, ao refletir sobre o Cordeiro de Deus, seu coração se encha de esperança e aumente seu desejo de conhecer cada dia melhor a esse Jesus e sua história que traz redenção e nos limpa de todo pecado.

FELIZ NATAL!

(Revista Mackenzie, ano XV - N° 63)

Rev. Dr. Davi Charles Gomes
Chanceler